Pega a visão! Cabeças pensantes, revolução em curso!

Pega a visão e se liga que o presente é coisa do passado! Um monte de histórias inspiradas em outras tantas, com dicas de Penélope Martins.

Cabeças pensantes, revolução em curso!

A origem da palavra revolução vem do latim e significa dar voltas. O prefixo “re” ajusta o movimento para que a ação aconteça de novo e de novo e de novo. “Botar o pião para girar”, será que é assim o início de uma revolução? 

O compositor Chico Buarque deixou cravado na história uma narrativa que utiliza essa metáfora do pião para lembrar outras experiências de transformação da realidade.

De dentro para fora, incluindo memórias e saudades para acelerar as emoções, o poeta faz rodar o tempo nas voltas do coração extrapolando em metáforas as revoluções nas relações humanas.

Uma revolução pressupõe uma transformação de algum tipo de situação em que liberdades são cerceadas para beneficiar alguns poucos detentores de poder. Foi assim a Revolução Francesa, no final do século XVIII, com objetivo de derrubar a monarquia e instaurar um regime que assegurasse os direitos dos cidadãos trabalhadores.

Daquele rodopio todo pode-se ler na bandeira francesa os ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, que influenciaram políticas pelo mundo afora. Mas não foi só beleza pura que rolou dessa revolução, cabeças também giraram da guilhotina, a tal máquina repressora que foi inventada, curiosamente, para “igualar” os condenados.

A revolução dos bichos

Dois séculos depois, nas linhas de uma fábula ácida, o escritor George Orwell descreve outro tipo de revolução: Animal Farm, ou, A Revolução dos Bichos. Publicada na Inglaterra, em 17 de agosto de 1945, a história dá voz aos animais da fazenda que tomam o poder colocando para correr o homem dono do lugar. 

O novo sistema de gestão, protagonizado pelos porcos que, teoricamente, seriam os mais informados e sábios, seria o resultado de um conjunto de ideais de igualdade e justiça. Tudo muito bonito não fossem os porcos apaixonados pelo poder. Devem ter aprendido com os seres de duas pernas!

Além de fazer compreender o século XX, a narrativa de Orwell é uma alegoria que bota lenha para queimar na crítica sobre outras revoluções, a soviética, especificamente, que, apesar de debater propostas de valorização dos direitos dos trabalhadores, acabou por salgar a vida do povo com um sistema rígido, engessado e totalitário.

“Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião”

“Roda mundo, roda gigante, roda moinho, roda pião”, cantarolam os que sabem a canção de Buarque, enquanto a cabeça frita pensando em como dar fim às tantas injustiças. Seria “o homem o lobo do homem”? O filósofo Thomas Hobbes estava certíssimo nessa afirmativa rodopiante que engole a espécie humana? 

Os escritos de George Orwell deram muitas voltas, saindo das páginas e inspirando obras de outros artistas. A banda Pink Floyd, por exemplo, com o álbum Animal, e The Clash, grupo de música punk, prestigiaram a leitura escrevendo canções a partir do livro.  

Sorte que a arte faz do limão uma limonada menos ácida. Pensar na política é enfrentar a fera de compreender a história, e ainda tem aquele negócio de colocarem a conta na próxima geração, uma responsa com frase bem intencionada (contém ironia): “você é jovem, o futuro depende de você”. 

Pega a visão: Rapadura é doce, mai num é mole, não! 

Você tem aí uma dose de ousadia para pensar um mundo melhorzinho, de preferência sem guilhotinas para fazer rodar cabeças? Melhor não desanimar e fortalecer a musculatura. A travessia é longa e mais punk que o The Clash. 

É preciso rodar de ler o mundo, mundo, vasto mundo – e se a gente se chamasse Raimundo seria somente uma rima, definitivamente não seria uma solução (isso foi outro poeta quem disse, o Drummond). 

TOP curiosidades

  1. George Orwell largou sua vida de escritor durante seis meses para lutar contra o fascismo na Guerra Civil Espanhola;  
  2. Carlos Drummond escreveu poemas para registrar os horrores da Segunda Guerra Mundial; 
  3. No mesmo mês de junho de 1944, nasceu o poeta Chico Buarque e os soldados Aliados desembarcaram na praia da Normandia para enfrentar os nazistas.

Pega a visão e cai dentro!

Para quem quer compreender a realidade com uma boa dose de narrativa fantástica com dramas sombrios que incluem monstros extraordinários, o filme do cineasta Guillermo del Toro, “O Labirinto do Fauno”, é uma excelente recomendação. 

A história acontece após a guerra civil espanhola, no final da segunda guerra, e utiliza uma linguagem de contos de fadas para demonstrar a tensão daquele momento. 

A personagem protagonista é Ofélia, uma menina órfã de pai, cuja mãe se casa com um general fascista das tropas de Franco. Um ser mitológico, o Fauno, assume o papel de “tutor” dessa heroína que atravessa as paredes da casa para enfrentar o pior dos pesadelos.

Se liga! 

Pega a visão! Nas nossas prateleiras virtuais você pode conhecer a obra A Revolução dos Bichos em dois formatos: em quadrinhos, com texto adaptado por Lillo Parra e Chairim; e texto integral traduzido por Eric Novello, com projeto gráfico ilustrado por Gustavo Piqueira. Confira e garanta o seu!

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